segunda-feira, 8 de julho de 2013

Amor não é bossa nova

O amor não é uma bossa nova, nem uma ideia calcada em palavras bonitas,
O amor é o suor compartilhado em cada tijolo empilhado.
O amor não é um carinho, um toque suave,
O amor é o som dos martelos batendo nos pregos, levantando as paredes.
O amor não é um abraço e um beijo vazio,
Nem o fogo que cresce das entranhas,
Nem o calor úmido de um orgasmo sequer,
Embora ele até possa nascer disso...
Nem tampouco passar a mão na cabeça,
Um afago falso, que vê a frente o abismo do outro mas não puxa sua mão.
O amor é a matéria, a construção,
Edificada coletivamente, levantada com as mãos.
O amor é a divisão igual do trabalho,
É levantar o outro cansado com o próprio corpo,
É segurar aquele que cai, ainda que isso lhe doa,
É honrar o compromisso que as entranhas prometeram na paixão.
Amar é ser companheiro no que se constrói do mundo,
E extrair do concreto, das vigas e do metal
Todo o sentido de se viver.
E as palavras de amor só tem valor e sentido de fato,
Se vierem do trabalho coletivo,
E aí puderem representar seu prazer.

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