quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Prato político


Estamos num mundo completamente alucinado.
Se de um lado temos uma miséria alastrada, de gente que passa fome por não ter o que comer, do outro temos uma multidão de pessoas que comem demais, e por isso passam fome o tempo todo.
O consumismo, em especial o do nosso prato, o do supermercado, tem nos matado todos aos poucos, numa falta de saciedade completamente estapafúrdia e desnecessária.

Nessas minhas duas semanas de desintoxicação, depois de matar bichos que me comiam por dentro, desinchar e emagrecer, perder celulite aos montes, ter bom humor quase o tempo todo de novo e disposição para viver, a sensação que tenho é de uma saciedade feliz e nutrida. Fazem 2 horas que comi e não tenho fome. E não terei fome até voltar da natação.

E minha fome se vai na comida que eu vou ingerindo devagar, sentindo a comida mudar de gosto enquanto é digerida lentamente pela boca, treinando minhas mandíbulas de mamadeira. Ao final da refeição, uma saciedade leve, sem aquela ressaca de estufamento horrível, sem o sono mortal de antes...

Comendo menos, como orgânico, sobra dinheiro para eles, para os integrais, para as castanhas... Cozinhando-os, produzo e por isso reflito sobre a produção, que nada vem de um lugar mágico onde entrego papéis e recebo coisas como o consumismo nos faz imaginar: tem suor de muita gente no prato que está a nossa frente, tem trabalho, tem mãos, tem terra.

E assim eu combato o consumismo que me falta: o do prato.

E é assim que o meu prato faz política.

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