quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Dos frutos que não imaginamos


O valor do educador inclui, mas está muito além da técnica da escrita, da cultura erudita: está na valorização da humanidade, no crescer da voz, na libertação pela comunhão entre as pessoas.

Hoje tive uma colheita que não esperava: em meio a uma situação triste de risco iminente de despejo da comunidade em que trabalhei todo o ano passado, quando perguntamos à comunidade com o que podíamos ajudar, ao invés de barricadas, posts pedindo solidariedade e apoio na internet, cartas à prefeita, fogo em pneus, eles nos pediram que fizéssemos dentro do assentamento saraus, levássemos filmes, circo, atividades com as crianças, pois isso levantaria a bola, plantaria uma semente de otimismo, porque as pessoas já estavam desistindo e desmontando seus barracos.

E essa é a beleza e principal função da arte, da cultura: nos nutrir de narrativas, de vida, de esperança, de entendimentos e de humanidade.
Impossível não lembrar da Michele Petit.

No meio da tristeza de pensar para onde vai aquela gente se rolar um despejo, eu vejo um fruto do trabalho que, mesmo lendo muito Paulo Freire, eu nem imaginava que tinha tido: não só nós, educadores, nos fizemos e nos percebemos mais humanos, mas a comunidade que nos cerca também se sentiu assim. E isso me dá uma alegria, uma emoção profunda, uma felicidade infinita e inexplicável.

Hoje eu botei mais fé no meu trabalho, hoje eu tive certeza pela milésima vez do que eu já sabia: é na educação que quero ficar.

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