domingo, 4 de dezembro de 2011

Por que fazer pesquisa?

Me fiz essa pergunta pra escrever um pré-projeto de Iniciação Científica, e saiu isso aqui(que obviamente não vai pra FAPESP):

Sempre tive interesse na questão do gênero. Interesse que veio da opressão que vivo intensamente na minha vida, por nunca me encaixar no padrão imposto ao meu sexo biológico – menina passiva, sem ambições, que não “cede” aos desejos e “se dá valor”. E isso veio com bastante força quando quis ter meu primeiro filho. A imagem da maternidade como um castigo imposto a sexualidade feminina, em especial a sexualidade da adolescente – categoria na qual as pessoas gostam de me encaixar, embora eu tenha engravidado com quase 22 anos e com bastante noção do que queria – me incomodava e me incomoda muito. Fui conquistada pela maternidade por um desejo incontrolável de ver as tranformações do meu corpo e pela possibilidade ultra criativa que um filho significa, e com esse tesão encarei minha barriga crescendo, meu parto, a amamentação de meu filho e toda essa mudança que traz esse novo papel. Jamais sem dor, pois a dor nos possibilita questionar, e questionar é o que nos permite pensar sobre a(s) realidade(s) com a própria cabeça, e assim decidir efetivamente que caminho seguir. Mas a culpa sempre foi uma cruz para mim, que eu fiz e faço questão de ir cortando e jogando fora seus pedaços. Cortar esse cruz e ir tranformando-a em algo novo, diferente, requer conhecê-la a fundo, saber de que material é feita, e com qual instrumento vou manipulá-la. Então, minha motivação em pesquisar é exatamente essa: entender mais um pedaço do que forja esse padrão de feminilidade, que sempre me marginalizou e marginaliza a tantas mulheres(e homens também).

4 comentários:

  1. Adorei, Isa!!!!
    Esse texto me lembrou como eu amo ler seu blog, e amo mais agora porque te conheço, e te admiro ainda mais !
    Vou fazer uma campanha pra você escrever com mais frequência rsrs As vezes, me pego com saudades dos seus textos, como quando a gente tem saudades de um livro gostoso...
    Beijos !
    Nati

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  2. Perfeito...a voz calada das mães que nunca deixam de ser mulheres. Parabéns como sempre!!

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