segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Sobre portas e janelas: por onde sairemos do capitalismo?

Esses dias um amigo me disse: "se você souber onde está a porta para sair do capitalismo, me diga que eu vou".

Porta? Nenhum sistema social terá portas para sairmos dele.

Está mais para encontrarmos as poucas, estreitas, com grades e altas janelas para pularmos, pelas quais entra o pouco de ar (pouco, mas bem mais que em sistemas anteriores) para respirarmos, nos fortalecer para empilhar algumas pedras pesadas, criar uns serrotes para serrar as grades, uns machados para quebrar as paredes e aumentar o buraco da janela, ir quebrando com todas essas coisas e chutando aqueles que tentarão nos puxar de volta, para sairmos dessa merda de capitalismo.

É um processo longo, difícil, que requer antes de tudo vontade, mas que tem um produto tão tão tão delicioso, que, sinceramente, eu acho que vale a pena (embora eu ainda esteja serrando umas grades, nem tentaram me puxar de volta com muita força...).

Claro, tem gente que não quer...
Ok.
Você quer?

Um comentário:

  1. Estamos vivendo tempos realmente incríveis hoje. Veja: o capitalismo está cambaleando. Não se iluda, não morrerá. Mas certo que se transformará. Em quê? Quem sabe.

    A verdade é que os buracos do capitalismo exacerbado, de riqueza gerada do vento e expropriação desenfreada, está com dias contados. Não há sustento. Não há como se manter. Alguma hora alguém precisa pagar a conta no capitalismo. Na loucura desenfreada, acabaram por inventar, meio sem querer, a cobrança do que não existe. Quem vai pagar?

    Não vejo o capitalismo como um mal em si. Posso estar errado, mas culpar o capitalismo pelas mazelas do mundo é como culpar a arma pelo tiro que matou um homem. O assassino, é quem atirou. Não o instrumento.

    O capitalismo é um sistema, um instrumento, como outro qualquer, com características positivas e negativas. Um amigo me disse hoje mesmo uma frase que vou guardar sobre o assunto: "apesar de falho, o capitalismo é ainda o melhor sistema pra retirar o máximo de esforço das pessoas".

    Disto, me questionei: há como tirar um bom esforço das pessoas? Há como definir o que é o esforço ruim? Perguntas difíceis. Não há uma fronteira visível. Quem sou eu para uma resposta definitiva? Mas como feito para pensar fui, penso que tudo no capitalismo se perde quando o único e exclusivo objetivo é o dinheiro. Me parece a raiz de todo o mal. Uma pessoa que vê apenas o dinheiro como meio de realização está fadado a se perder de algum jeito, seja explorado, seja explorando.

    É um tese complicada, não conseguiria escrever tudo aqui. Mas a base é bem esta: o que é a felicidade para uma pessoa? Se perguntar nas ruas, é certo que de muitos ouvirá: "Ficar rico", como se o dinheiro fosse um espírito divino que transformasse a miséria humana em deleite radiante. Ledo engano. Não há dinheiro que faça esse milagre. Mas... Se a sua felicidade é "ter uma família linda e quando ficar velhinho ter saúde para brincar com meus netos". Aí sim. Não é preciso pensar muito pra notar que isto parece ser uma boa receita para a felicidade. É preciso dinheiro para isto hoje? Certamente. Mas o dinheiro não é o fim aqui. É só uma necessidade indesejada intermediária, pra se atingir um sonho muito maior. E isto faz toda, toda, a diferença.

    Se quero fugir? Deste capitalismo danoso, dessa vida de dinheiro por dinheiro, como quero. Saltar de um prédio.

    Mas mais e mais, começo a notar que é possível fazer uma pequena revolução silenciosa com uma atitude até que simples: coloque o dinheiro no seu devido lugar, como mero instrumento precário.

    Viva, mexa-se, faça muito. Não pelo dinheiro, mas porque é preciso viver, se mexer e fazer. De algum modo, dinheiro virá, porque outros precisarão que você viva, se mexa e faça algo por eles. E roda a roda gigante.

    Aos que não podem ou não tem condições de vida e ação, é responsabilidade de todos nós ativos dar-lhes condições para que vivam, se mexam e façam algo.

    Nós somos responsáveis pelos mendigos de rua. E não é dinheiro a solução para eles.

    A todos os demais, com dois braços e duas pernas, o que mais existe na vida senão fazer? Precisamos fazer porque isto é vida. E dane-se o dinheiro. Se faço algo, de algum jeito o necessário virá.

    --

    Bem, divaguei um bocado e é provável que tenha dito muitas besteiras. Convido a quem tiver paciência que corrija meus despautérios.

    E paro por aqui =)

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