domingo, 18 de setembro de 2011

Sobre o último post.

Eu fiquei feliz com a repercussão que deu, por ser um texto meu, e eu ter um ego enorme ao mesmo tempo em que sou bem insegura(coisas que talves sejam complementares, e não antagônicas...enfim)...Nunca nenhum texto meu foi tão comentado (por email, no blog, ao vivo), nem tão repassado...

Mas me dá uma tristeza que seja sobre um tema tão horrível. Por que ainda estamos nessa lógica de sofredores? Por que sempre nos fixamos na dor, no feio, no triste?

Acho uma ironia que isso tenha acontecido num blog que leva o nome de uma música que começa com "Respeito muito minhas lágrimas/ Mas ainda mais minha risada", com uma blogueira tão preocupada com os prazeres, com o tesão, com a liberdade, e que escreve muito sobre isso tudo, e que orienta as discussões de gênero para além do feminismo anti-homem e anti-sexo...

Então eu penso na Elizabeth Badinter (autora do livro "O Mito do Amor Materno", que embora tenha uma parte divertidíssima batendo no babaca do Freud, um dos meus passatempos prediletos, se fia em dizer o quão horrível é ser mãe, amamentar, como se as condições em que passamos por isso fossem naturalmente assim, e não socialmente construídas, como se ser mãe nunca pudesse partir do tesão e do prazer da mulher), na Ana Goulart (professora da Faculdade de Educação que se diz feminista, mas acha que dar vaga em universidade pública para mães é gasto de dinheiro público, embora ela nunca nem pergunte se há pais entre os homens da sala), feministas misóginas, e em tantos outros feminismos que teimam em colocar a condição do feminino, as experiências corpóreas que podemos ter enquanto corpos que nascem do sexo feminino, como algo horrível, como se a natureza fosse machista e nos desse o fardo de ser penetrada, de parir, de gestar, de amamentar, de ter seios, de menstruar, como se os homens fossem grandes ganhadores na loteria e malvados por biologia...Será que só esses feminismos têm lugar? Por que só esses feminismos repercutem e ganham espaço?

Até quando vamos nos apegar a lógica cristã, da coitadice, do sofrimento, como merecimento e redenção? Até quando vamos impregnar os nossos movimentos sociais com essa lógica que só nos trai, trai enquanto negação de si mesmos, enquanto negação das dificuldades do outro, negando as diferenças do gênero humano?

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