sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Uma história sobre aborto

Inspirada num debate que rolou numa lista de mulheres que participo, me lembrei de uma história minha e resolvi contar.

No meu primeiro ano de Unicamp, com recém completados meus 18 aninhos, eu ainda era espírita, e era radicalmente contra o aborto(ainda não tinha na minha cabeça muito clara a ideia de Legalização do Aborto, nem nada disso, e tinha uma ideia de que "os outros são imaturos se propõem isso, como eu sei a verdade do que aconrtece do outro lado, faço um favor de dificultar o caminho de suas escolhas", pensamento hoje que eu considero escroto e imbecil).

Primeira festinha que fui da galera de humanas. Trepei com um cara das cênicas, o terceiro com quem eu trepava na vida, o primeiro nessa situação de festa, um cara que eu nunca tinha visto e nunca mais vi depois disso. Eu ainda morria de medo de ficar grávida, achava que qualquer coisinha fora do lugar deixava o risco imenso de ficar grávida. Acho que o cara demorou p/ tirar, o pênis deu uma murchada, e a camisinha ficou pra dentro da minha vagina.
Tivemos que procurá-la lá (não foi muito difícil porque eu sempre mexi nela mmuito bem, hehehe) e tiramos. Eu ainda não sabia bem qual era a quantidade de esperma que ficava na camisinha, não sabia se escapava ou não, fiquei bem assustada com essa situação.

Não dormi a noite. O que fazer? E se eu engravidasse de um desconhecido completo no primeiro ano de faculdade? Todas as ideias misóginas de gravidez, de como tudo aquilo era horrível, o maldito livro da minha adolescência "E agora, mãe?", tudo o que eu hoje sei que nao é bem assim. E o que eu diria pra minha mãe?


Tomar pílula do dia seguinte? Mas ela não é abortiva? Até então, eu achava que pílula do dia seguinte era "microabortiva"(nem sei se esse termo existe, mas minha mãe usa às vezes), e fiquei na grande dúvida: faço o que pode ser um aborto ou não? Me debati em culpas e em medos, em desespero. No dia seguinte, fui na farmácia, assustada, assustadíssima, morrendo de vergonha e comprei. Fui até a cantina do Marcão, onde almoçava todos os dias, li a bula (como faço com qualquer remédio) e descobri que eu não faria um aborto se tomasse, que a pílula só maduraria o óvulo a ponto de ele não poder ser fecundado mais. Relaxei, tomei, e quando veio a minha menstruação eu, pela primeira vez, fiz uma festa.

Carreguei esse sentimento de "eu teria feito um aborto" até encontrar-me com a política, no ano seguinte, e começar a entender o mundo de uma outra forma.

Aí está, vale a pena tolhirmos nossa liberdade de mudar de ideia? Vale a pena colocarmos que o Estado pode tomar a frente de uma decisão como esta, e proibir o aborto? E o DIU,que muitas de nós usamos(eu inclusive), que, caso escape uma fecundação, pode matar o óvulo fecundado - isso não é "abortivo"?

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