sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Minha teologia

O tesão.
O desejo de ser árvore que abre a semente, e a faz brotar pela terra, mãe absoluta. O desejo da terra em ser fecundada, ou seu desejo de seguir árida.
O desejo de se miscuir, a energia do tesão que se condensa e materializa, se atomiza e se molecula, se junta na energia que faz a vida, a energia do tesão.
De tesão é feito o mundo.
O tesão que brota, brota do meu ventre, quando eu decido que quero me entregar para o prazer de dar mais do que se recebe. O tesão da minha biceta a parir, de se apaixonar perdidamente por alguém que se fez em você.
O tesão do cheiro, do atrito, do sal, da língua que nos envolve a provar o outro, seu corpo, sua alma, em orgasmos tremulantes, em delícias vibrantes.
O tesão que jorra dos meus seios, branco, doce, na boca daqueles que quiserem provar e me ver tremular, daqueles que se nutrem de meu tesão de mãe, de minha vida terra.
O tesão do sol, um de nossos pais naturais, que nos supre com mais energia de tesão. O tesão de todos os pais animais, suprindo a mãe terra de tudo o que ela precisa para se fecundar.
O tesão da natureza agindo sobre nós.
O tesão do macho que jorra, que espera, que goza dentro.
O tesão do macho que se descobre fêmea também, a fêmea que se faz macho, o tesão de ser qualquer coisa no meio disso.
O tesão de se fechar para dentro, de se concentrar no resto da existência.
O tesão da terra a transformar toda a morte em nova vida.
O tesão. Disso é feito o mundo, nisso nos fazemos, e nisso nos realizamos.
O tesão não pode ser suprimido, guiado por uma força superior, pelos outros.

O tesão vem dos poros da pele.

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