sexta-feira, 8 de abril de 2011

Sobre o amor

Dedico este post ao Neo e ao Bruno, que construiram um relacionamento lindo, a quem eu admiro imensamente; a Linda e ao Rafael, que casaram sáabado passado, e foi onde eu fiquei pensando tudo isso; além, é claro, do meu amor maior, com quem eu escolhi subir num balão e deixar os chatos da sala de jantar e que escolheu o meu vento para seguir.

Eu acho curiosa a forma como as pessoas colocam o amor hoje. Enaltecem-no como sendo um solucionador de problemas, enjaulam-no numa obcessão cristã que mescla amor e relacionamento(no sentido de construir uma vida juntos), colocam o amor como sendo pressuposto ao sexo(e qualquer sexo fora dele é condenável).

Pois bem. Essa confusão toda sempre me fez muito mal, e como eu sempre tive clara na minha cabeça a seriedade que é declarar um compromisso de ter uma vida com uma outra pessoa - tanto que desde os meus 10 anos eu questionava a "naturalidade" com que os adultos caracterizavam o casamento na vida das pessoas, como se fosse a mesma coisa que pêlos nascendo pelo corpo na puberdade - , eu sempre temi o amor. Impedi que ele viesse naturalmente, fugi de paixões por pessoas lindas e deliciosas que me mereciam derretida sob seus corpos, como se o amor não fosse uma consequência de um sexo cheio de desejo. E aqui eu não falo do sexo banalizado que eu tantas vezes já fiz, fomentado pela nossa sociedade que trata o sexo como um produto e uma fonte de mercado consumidor; falo do desejo real, aquele que brota dos nossos corpos e faz circular a ocitocina, que nos enche a boca de água e nos inunda com suas águas, sem tabus e sem padrões de beleza, pelo simples fato de que as pessoas quase sempre são apaixonantes.

Depois de um longo processo, enfim, eu libertei o meu amor. Entendi finalmente o amor como algo livre. Ele brota dos poros, brota dos abraços, brota dos olhos. Ele pode brotar de vários tesões, e ter várias realizações; ser puramente mental - tipo aqueles que causam orgasmos intelectuais, que nos estimulam a pensar, que nos movem e nos fazem pensar em coisas nunca antes imaginadas, muito comuns por professores; ser puramente emocional - tipo o que brota pelo convívio com as pessoas, que as revela no dia a dia, que acontece pelos amigos; ou ser puramente corporal, que pode ser desde aquele amor que abraça, ou aquele que surge das entranhas, como o amor de mãe e filho, como o amor do sexo em si, aquele dos corpos que se excitam e se ouriçam pelas peles; mas o amor sempre pode ser uma mistura de tudo isso, e ser completo, cheio, amando os amantes aquela pessoa inteira, em tudo o que ela é, vê-la linda com todas as suas nuances.

Assim é o amor livre. E amor livre não se refere só a compromissos, a relacionamentos. Um relacionamento sério entre pessoas requer muito amor, mas não é só o amor que o sustenta. Relacionamento se dá quando se pretende construir uma vida com outra(s) pessoa(s). E isso não é possível com todo mundo que se ama; podemos ter um amor mental e emocional por alguém(um amigo), e esse alguém querer ter filhos e nós não. Por que nos privamos e aprisionamos o amor corpóreo, o subjugamos numa necessidade de relacionamento?

Para um relacionamento o amor é fundamental, mas é preciso que tenhamos clareza sobre nós mesmos, nossos limites e vontades, projetos e sonhos, para analisar o quanto queremos aquele outro que está diante de nós, seus projetos e sonhos, suas cracterísticas que nos agradam e as que não agradam(porque afinal teremos a pessoa inteira, e não só um pedaço dela), e aí veremos se isso é convergente e o quanto estamos dispostos a abrir mão, a suportar, a construir. E isso vai além do amor. É nisso, precisamente, que vejo muitos casais se perderem; se perdem na sua confusão, deixam de ser eles mesmos, de pensar por si mesmos, para realizar um projeto alheio, ou impõem seu próprio projeto, anulando o outro, ou não toleram o outro ou a si mesmos, em nome de um relacionamento irrealizável. E assim o amor começa a definhar; e como o amor é sempre potencializador dele mesmo, quando se definha o amor pelo outro, se deteriora o amor próprio. E assim vão tristes aqueles que fizeram isso por aprisionar o amor e o sexo num relacionamento; e assim vão tristes os que se casam numa inércia de achar que isso faz parte da vida; e assim surgem as piadas e as histórias de que o casamento é falido.

Falida é a ideia cristã-burguesa de casamento, falida é o aprisionamento do amor, falido é o silenciamento dos nossos desejos, falida é a ideia de um príncipe encantado e de uma princesa que espera.

Que o amor inunde os coraçõs de vocês hoje e sempre...

3 comentários:

  1. Obrigado por compartilhar a reflexão!
    Comento minha afetação...
    Particularmente, costumo pensar que amor não é consumo e nem se resume a um objeto de desejo ou consumo... Talvez seja ele próprio desejo que nos excita e incita a produzir algo, no aspecto mais intenso da criatividade ("fazedura de mundos")...

    abraço

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  2. Eu gosto de você, vaca profana- apesar de odiar o caetano veloso e esse seu nick.
    Texto bulito.
    Tenha uma boa semana.

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