terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Five days Closed

Semanas enclausurada, períodos estranhos de monogamia voluntária, sem medos e ciúmes nem da minha cama com a Susana...

Os desejos todos alterados, algumas consciências novas acerca do sexo e sua junção com a paixão - sexo completo, sexo livre, sexo apaixonado...E como admitir, depois de tanto tempo, a possibilidade de um sexo quente, sem a frieza das relações anti-envolvimento, sem a castração de uma parte do tesão, o tesão do amor, o tesão do plural, o tesão da ocitocina percorrendo as veias?

Algumas revoltas novas, e onde colocar tanto feminismo, se tão mesclado com machismo ainda ele está?
E isso borbulhava na cabeça da clausura, isso com os 70kg, novos e indesejados, e onde está o feminismo a combater o padrão de beleza que ainda na minha mente martela? E onde está o feminismo quando eu pareço concordar com as velhinhas que me diziam no começo "esse rapaz não vai ficar com você"? E onde está o feminismo se esse medo de perder me toma a razão, me tolhe a liberdade do meu amor, me faz esquecer de toda a dor e culpa de quando as correntes envolviam meus pulsos e minha buceta?
E o impedimento prático de sair de casa para um passeio dos velhos tempos, sem preocupações e sem horário para chegar? Enquanto o outro tem toda a liberdade do mundo para isso...

Aiiiiiiiiii, aquela ideia me rondava a cabeça...Ideia que surgiu sei lá quando, numa dessas conversas, em que eu só pensava num vudu e numa agulha...Ai, feministas que dizem isso sempre estão aí, comunas, kollontais etc e tais...E o medo de perder, o medo de seguir, o medo de propor...O medo até de conversar sobre isso, com quem, com quem, com quem dividir esse fardo? Quem me escutaria nisso e não me diria que somos loucos desde o começo?

Então aquele velho amigo, aquele velho tesão meu que tantas vezes esteve nas minhas fantasias, e que tinha, sim, até ele, tinha perdido para mim os encantos, veio aqui numa noite chateada de domingo, e me deu apoio, me ajudou, me conversou, e naquela onde de liberdade entre quatro paredes, por dois dias de tranquilizantes conversas, eu sentindo na pele mas ainda cega aos ouvidos sobre o tesão que aquele ser me causava, e ele me encorajou a tocar a ideia adiante. Seria importante para mim. Não tenha medo, garota, tem coisas maiores do que isso entre vocês. Se exponha, volte atrás, isso não é fraqueza, isso é sinceridade consigo mesma.

E foi assim, naquela noite de saudade de terça-feira, que a ideia revelou-se sem querer, no meio de uma das minhas caras de espetadora de vudu. Correntes, preciso de correntes em você, disse eu. E meu bem me disse, estou triste, mas eu entendo e mantenho - e ao menos ele manteria naquilo que eu fosse saber.

E numa quinta-feira de aniversário, me fiz bonita como há muito tempo não queria ousar. O aniversário do velho amigo, que já era o mesmo velho e bom tesão de sempre...E em dois segundos o de óculos, com seus cachos e sua pele, se revelaram aos meus olhos e saltaram meu interesse...logo eu não mais era a enclausurada, logo eu era a de sempre, pervertida na mente e falante de assuntos, interessada e bem intencionada, no melhor que há nessa vida...Logo eu vi a sensualidade em forma de mulher, e me lembrei das nossas cenas com ela, em noites picantes de dias passados, e quando me virei para o lado para comentar ao meu amor, ao meu acorrentado, ele me lembrou de nossas correntes...Ah, as correntes...E eu voltei da amnésia que tive e me lembrei da velha e má culpa, torturante e maléfica, a culpa que me fez querer quebrar as correntes minhas e as de todos...

Então, aqueles motivos todos que me empurraram para a ideia de repente sucumbiram. Em mais 3 dias, pensando e me sentindo muito mais leve e muito mais feliz, eu então peguei a serra e serrei as correntes de meu amor. Serrei não por não mais temer, mas por querer me libertar novamente e sempre, por querer permitir o tesão e sua fluidez, por querer combater tudo o que há em mim de anti-tesão e anti-liberdade.

5 days closed. E isso basta.

Livres? Sim, buscamos e somos livres outra vez.

2 comentários:

  1. yipee tamo à periga de novo /o/
    (pros leitores, a dica: de manhã a isa tá precisando de uma ocupação).

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  2. Isa,
    Eu sou uma leitora fiel do seu blog, amo de paixão e com tesão mesmo! rs
    Eu li todos os seus posts, te admiro muito! É muita coragem sua ser sincera consigo mesma, expor assim seus medos, desejos e opiniões...
    De verdade, seu blog me ajudou MUITO a abrir a cabeça.
    Que bom que você voltou a lutar contra as correntes... as correntes do medo, da insegurança, do machismo.
    Beijos

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