quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Resposta a Lady Rasta

Blog da Lady Rasta - http://ladyrasta.com.br/2010/06/21/mulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-1/
http://ladyrasta.com.br/2010/06/22/mulheres-babas-filhos-e-feminismo-parte-2/

"Mulheres, babás, filhos e feminismo"


Bom, eu gostei de algumas coisas no seu post, mas outras eu não gostei mesmo…
Para começo de conversa, eu sou mãe do tipo “voltei de woodstock a pé”, como disse um amigo meu. Não vejo problema nenhum nisso e em ser assim.
Concordo que devemos ser mais do que troca fraldas e cuidar de bebê, e que algumas mães do meu “tipo” tem muitos problemas e um discurso bem ruim a esse respeito. Mas antes de mais nada, devemos desconstruir a ideia de que amamentar e cuidar de bebê é uma função da Maria assexuada- não há dicotomia entre filhos e sexo. A nossa relação com os filhos é profundamente sexual(e bem longe do Freud, ok?) – é sexual gestar, é uma delícia trepar de barriga, parir é profundamente sexual, e só quem teve um parto natural sabe o quanto pode ser PRAZEIROSO e até ORGÁSTICO parir – sim, a galera woodstock fala também de parto orgástico, e eu senti prazer no meu parto(não cheguei a gozar)- e amamentar é um tesão, é delicioso…vcs já transaram amamentando, ou se masturbaram? Só quem fez para saber o quanto é forte…Pois bem, acho que vc mesma, tentando não ser machista, falando que mães também tem sexo acabou sendo machista e dicotomizando uma coisa que não tem porque. Ser mãe é extremamente sexual,e não interessa o quanto a maldita igreja e toda a cultura ocidental fale.
Segundo que a própria galera que vc chama pejorativamente de woodstock também defende maior participação paterna na criação…
Eu na verdade defendo outras coisas…A vida em comunidade, que antes era nas mulheres que ficavam em casa e tal, era realmente um ponto importante, coisa que hoje foi extinta. Mas por que não retomar essa vida em comunidade? Por que não reformular a família, e ao invés dessa família heterossexual, monogâmica, patriarcal, vertical, baseada só no sangue e não no amor não reinventamos a família queer, poligamica, nem patriarcal nem matriarcal, horizontal e baseada no amor e na afinidade? No meu blog eu falo sobre isso.
Vc é do tipo de feminista que fala que a obrigação de amamentar é machista? Pois bem, isso eu discordo por completo. Não se trata de negar à mulher suas outras facetas da vida, e sim de ser responsável com o serzinho que vc coloca no mundo. Amamentar é importante demais para o bebê – o que é foda é nós termos que trabalhar que nem condenadas, nossos maridos nao terem licença paternidade decente, e não termos ninguém para nos ajudar em nada, nem na nossa renda, além de ter que ouvir comentários do tipo “agora vc vai ver o que é bom para a tosse”, que velhinhas de todos os lugares adoram fazer, colocando, como vc mesma colocou, a maternidade como um castigo divino. Espero que vc não tenha esse tipo de postura! POrque querer ser mãe inclue sim parir, amamentar e cuidar…claro que não sem apoio, não só sendo isso…
Outra coisa – por que temos que ter uma babá e super explorar outra mulher(dificil achar homens fazendo isso…)? Duvido que seja possível, na nossa estrutura social, pagar uma mulher o quanto realmente vale o trabalho dela. Eu já vi gente contratar babá por 12h diárias e pagar 2mil reais…tipo, a vida dela vale 2mil reais? Nesse sentido, acho bacana a solução de creches e escolas públicas por enquanto, apesar de tudo, né…porque é foda imaginar tudo de ruim que o meu filhote, daqui a 4 meses, vai ser ensinado sobre consumo e machismo na escola, que ele vai comer e tal…Mas eu tenho clareza que este é um problema sério do sistema escolar e do sistema em que vivemos. Enfim, eu acho a ideia de socialização das crianças interessantíssima também, acho bacana que elas brinquem juntas e aprendam juntas e até mesmo compartilhem umas doenças, para terem um sistema imunológico mais saudável, e nesse sentido a babá não é uma idéia legal…acho que só é idéia legal para casos esporádicos, do tipo “quero pegar um cineminha com meu par essa noite e esticar num motelzinho, dar uma trepadinha jogando leite na cara dele e esquecer dos compromissos maternos”…Enfim, mas isso é o que eu penso. Agora, a ideia de viver em coletividade é outra ótima solução para dividir as tarefas. Vivemos numa família construída por laços de amor, e nosso filho tem um avô carinhoso, um tio que toca para ele, uma tia que brinca sempre, e todos eles que cuidam da casa para que eu possa ser mãe e o Capi ser pai tranquilamente. E isso faz toda diferença. Quando eu voltar pros meus estudos, lá irá o pequenucho – e diz aí se não vai dar saudade dele? vc tem filhos pelo jeito, hehehe…mas saudade é diferente de culpa, né? – para a escola, pegar umas cataporas e caxumbinhas, brincar com outras crianças, conhecer valores diferentes dos pais, comer diferente dos pais(o que mais me dá medo) e voltar para casa e ser woodstock SIM!!!
E amamentar…Na escola, em casa, sempre, que essa é a melhor vacina que existe…
Enfim, te espero no meu blog!

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