domingo, 18 de julho de 2010

Família

Imaginem só, chegar, depois de tanto questionar, estou aqui na constituição de mais uma família no mundo: a unidade mais básica do capital...
Isso fez muita gente imaginar que eu iria ou estaria encaretando...
Estamos aqui resistindo bravamente e subvertendo mais uma vez!

Ontem fomos a casa de um casal de amigos nossos, numa festa junina muito da gostosa, e ouvimos, ao pé da fogueira, mais um casal desesperado para respirar na sufocante vida que temos sob o Capital. E no mesmo calor da fogueira conversamos eu e Capi, com o Pi no sling, claro, sobre o que é uma família, pensando em como estamos constituindo a nossa...

Tenho pensado muito, nesses dias mais reclusos de pequeno bebê, sobre coletividade e família. Vejo todos os dias mães que entram em depressão, pais que perdem a cabeça, crianças que sofrem, com as milhões de exigências sobre as novas famílias que se formam - desde manter o espaço limpo até a obrigação das mulheres em cumprir seus deveres de esposa pelo bem da família e a colocada exigência ao homem de exigir sexo para ser viril...

Tenho pensado muito nisso, sobretudo, porque minha realidade é bem mais feliz que essa do capital, em que dois(na verdade, quase sempre umA) são suficientes para recepcionarem uma nova vida ao mundo, porque todo mundo tem mais o que fazer, porque o mercado não pode parar...Aff...

E tenho questionado também pela minha família de origem, que ultimamente tem se feito extremamente presente: hoje, com tantas brigas e tantas exigências da minha família de sangue, eu questiono como posso amar e manter contato com uma pessoa que desdenhou daquelas mulheres que me cuidaram e me recepcionaram neste mundo com tanto zelo, a quem sim eu quero e amo? Por que devo me submeter a estas mesmas mulheres, se não conseguirem me amar sabendo quem eu sou hoje, no que me formei? Tudo por uma manutenção do capital, para que ele gire e circule sempre nas mesmas mãos, com as mesmas ideias de unidade básica de manutenção da propriedade privada...

E com tantos seres lindos a nossa volta, nos ajudando das mais diversas formas com o Pietro(desde lavar lençóis ensanguentados de parto e me dar banho no dia do parto até passar 2 semanas das férias me fazendo companhia e me ajudando), como não dizer que esses amigos todos são nossa família também, se sempre podemos contar com eles?

E aí eu me pergunto e proponho: Por que não transformar o conceito de família? Por que não viver numa estrutura de clã, ou família auto-proclamada? É fundamental que transformemos a família, se queremos transformar as bases da propriedade privada para a propriedade coletiva. Numa nova estrutura de família, somos aquilo que queremos ser. Se eu quero ser mãe do Pietro, cuido, alimento, amo. Tenho o Seu Tião como minha família já, cuidamos um do outro e queremos estruturar a vida juntos(e, embora ele tenha seus 72 anos e eu meus 22, não posso chamá-lo de pai ou avô, pois isso teria naturalmente um tom de verticalidade que não existe entre nós). Quem mais vier amar a mim e ao Capi, que seja nosso/a esposo/a.

Sem essa de laços de sangue, papéis, ou qualquer outro que não seja pleno de emoção...
O que vale é o laço do amor.

Um comentário:

  1. Não veio a família antes do Capital?

    Por que será, que naquele tempo, optamos por permanercermos juntos?

    Talvez a familia tenha mesmo sido apropriado pelo Capital, mas não pnso q sua natureza seja esta.

    A questão estar em, como você, sermos capazes de romper com os "valores do mercado", dentro dos espaços que podemos construir com nossos proximos.

    =)

    Beijos

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