sábado, 3 de julho de 2010

Coletivo

Cá estou com o pequeno no colo repensando o mundo...
Pois bem, depois de tanto terror e tanto medo que nos colocaram, depois de um nascimento e uma personalidade calma do pequeno, ficamos eu e Capi nos perguntando por que as pessoas tanto nos aterrorizaram e por que diziam tanto que tínhamos sorte...
E então, mergulhando na maternidade e nas comunidades de mães em que estou virtualmente inserida, comecei a entender melhor o que se passou conosco...

Quantas mulheres ainda não cuidam sós de seus bebês? Quantos pais realmente participam da criação de seus filhos, quantos deles cortam as unhas dos pequenos, trocam e lavam fraldas, pegam no colo e brincam? Quantas mães se informam sobre parto, sua alimentação e amamentação, quantas terão a chance de ter uma boa saúde? Quantos pais tem a possibilidade e se entregam a paternidade, quantos deles ultrapassam a barreira e refletem sobre seu gênero e sua opressão? Nesse mundo individualista, quantos casais tem a sua volta uma comunidade disposta a ajudar no mágico e difícil processo de adaptação de um bebê ao mundo e de um mundo ao bebê? Quantas crianças podem desfrutar de um ambiente tranquilo e estruturado? Quantas crianças são fruto do amor de dois melhores amigos, que buscam um no outro o par da sua jornada?

Por isso tudo, eu concluí: filhos são uma realização plena quando há coletividade. Quando há informação, conhecimento de si, quando há uma mãe e um pai que se entregam, que convergem sobre como cuidar desse filho...Mas um filho é sempre de um coletivo.

Agradeço todos os dias por ter ao meu lado amigos que não hesitam em ajudar, seja para vir aqui lavar um monte de roupas ensanguentadas de parto, seja p/ contar piadas do mundo lá fora; agradeço por ter famílias tão presentes, que, mesmo com tantas dificuldades, nos entregam suas férias para cuidar da casa; agradeço as redes de mães as quais pertenço, que tanto me ensinam sobre os filhos, sobre ser mãe, sobre a vida; agradeço mais ainda por ter encontrado o Capi, que eu nem imaginava existir, meu melhor amigo, meu companheiro, minha metade, meu amor.

2 comentários:

  1. pulando por cima dos muros do feminismo: quantos pais ainda estão presos na idéia de que não podem e/ou não devem curtir os filhos? De que são incapazes, menos capazes, fadados a delegar tudo à mulher?

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