sexta-feira, 7 de maio de 2010

Carta a polis

Carta dedicada a alguns amigos, alguns colegas de sala e ao grupo "Não sou massa de manobra", em relação a minha atuação política.

Caros amigos,

Esta carta é uma breve despedida. Tenho sentido uma necessidade enorme de me concentrar em algumas questões, e no momento, é isso que irei fazer.

A política de grupo, na universidade, na sala de aula, na rua, nos movimentos populares, é sim o que quero fazer de minha vida. Esse foi o caminho que escolhi.
E escolhi também criar uma pessoa, um tipo de "nano" política no menor coletivo que existe em nossa sociedade: a família.

Estou há uns 8, 9 meses gestando um bebê. Mas estou gestando também uma mãe, que se constrói a cada passo dessa caminhada cheia de emoções, aprendizagens, medos, delícias, dores, prazeres...E o Capi está gestando também um pai. Nasceremos todos em alguns instantes, que pode ser daqui a meia hora ou daqui a 5 semanas...

E estamos nos preparando para isso, os três. Nessa gestação da mãe, eu descobri outras facetas de ser mulher, outras coisas para questionar no mundo, outras formas de política...Eu estou me construindo, me formando enquanto mãe, refletindo muito sobre tudo, pois agora não é para o mundo que eu quero transformar, não é para mim, não é para meus amigos: é para meu filho. E agora não é pela minha simples coerência política que eu tenho que vigiar minhas atitudes: agora eu tenho um ser que vai absorver tudo de mim, que vai me olhar como um exemplo. E essa responsabilidade, esse sentimento é mais forte que tudo, isso dá uma força para transformar a si mesmo que é impossível dimensionar a quem não passou ainda por isso.

E aí vão horas do meu dia pensando em fraldas de pano, alimentação vegetariana, plantar em casa, RA's em portarias, projetos para nossas vidas, educação não machista, não racista, não homofóbica, como fugir de roupas de bebê que parecem roupas de escritório, vacinas, educação política, escola, leis, parto, saúde de crianças, arte p/ crianças, como as nossas famílias interferem e como lidar com isso, o que é essa unidade de grupo chamada família, a importância de não abaixar a cabeça para as coisas, como ter essa postura sem perder o meio de ter a comida, o médico...
E mais um monte de coisas a preparar para essa criança que chega, a casa, o ninho, os novos hábitos, os novos horários...

Tudo isso me tem tomado um tempo enorme, uma energia enorme, e me sobra pouco para qualquer outra coisa. Preciso agora me recolher, temporariamente, porque não quero fazer nada pela metade(não vejo muito sentido, por exemplo, em seguir em reuniões aos trancos e barrancos nesse começo de bebê e usar fraldas descartáveis, por exemplo). Preciso guardar as poucas energias que tenho para não perder meu semestre(ah, que tentação enorme trancar, quase fiz isso ontem de manhã..), já que eu não quero alongar muito esse tempo de terminar o curso para poder ir trabalhar logo...

Não perderei contato com vocês, volto assim que nós nos adaptarmos ao Pietro e ele a nós, o que pode demorar 2 meses como um tempinho ainda...

Muito aprendi e aprendo com todos vocês, e tudo isso é muito importante na minha construção enquanto mãe, mulher, sujeita política, amiga, porra louca...Sou grata todos os dias a todos vocês...

E podem contar comigo, porque se eu já era briguenta e brava, mãe eu tô virando leoa!heheheh

Até...

Beijos com vontade de chorar...

Isa

2 comentários:

  1. Olá!
    Há um selo para teu blog no Germinando:

    http://gherminando.blogspot.com/

    Beijos!

    Luciana

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