sexta-feira, 14 de maio de 2010

Arrependimento....

Olho para aquelas fotos e não me vejo nelas.
Como quando terminei de me aprontar, sob brigas que sempre serão intermináveis, e me vi no espelho.
Quando entrei naquele salão e vi tudo aquilo, também não parecia ter algo a ver comigo.
E eu tremia, tremia de nervoso, tremia por não saber o que estava fazendo ali, tremia e apertava a mão dele, e ele era realmente a única coisa que dava algum sentido especial aquilo tudo.
Olhava para mim naquela roupa, com aquelas rosas e aquele cabelo, e para ele com aquele terno risca de giz, e nossos amigos naquele contexto bizarro, aquela ostentação que tanto me doía, e eu só pensava em tremer.
Nada naquele dia foi sincero, só o nosso amor era, mas estava numa representação tão distante do que nós somos...Foi sincero o golpe do destino, de tocar Panis et circenses enquanto assinamos os papéis, isso foi muito sincero.
Foi sincera a apresentação do Pedrinho, que disse "O Capi, romântico, hoje, de terno"...
Foi sincero ter sido feito por pessoas que realmente nos reconhecem enquanto pássaros livres, que constroem o casamento como o máximo do companheirismo...
Mas todo o resto era algo externo a nós, e por mais esforço que fizesse em manter aquilo, é insustentável. É insustentável o que fiz, ter submetido a isso o Capi, ter mentido na exaustão das brigas, guardar essa mágoa...

Insustentável fingir ser quem vc não é. E dói perceber que de repente você não teve força p/ brigar um pouco mais.

E toda essa insustentabilidade resultou no fracasso absoluto da minha intenção: eu não queria brigar, mas vou levar essa mágoa doída p/ sempre, não queria a desunião, mas agora duas das pessoas mais importantes da minha vida se odeiam e não dão o menor sinal de tentativa de se entenderem, não queria o ciúmes mas agora quem me gerou não acredita de verdade que eu a ame por causa de uma maldita música e umas malditas fotos...

Foi sincera minha vontade de satisfazer o sonho de minha mãe, passei por cima de um monte de coisas, sofri o vestido branco, sofri o cabelereiro caro, sofri escolher um monte de coisas que não queria, sofri não convidar quem eu queria, sofri ver o que queríamos, as frutas, os pés descalços, as pessoas que nos conhecem de verdade, o vento na praia, a areia, o vestido pintado pela Rety, os nossos amigos tocando, tudo isso indo pela janela...E o resultado foi mais um assunto tabu, mais um nó, mais uma dor, e ainda tive que agradecer por isso! Tudo isso para quê? No fim, para ouvir que eu não a amo de verdade porque não tirei foto com sei lá quem e que eu não a amo de verdade porque tocou meia música da "nossa família" e um monte de músicas "deles, os rivais"(o que particularmente eu não tive nada a ver com a história, foi o pior serviço de DJ e banda que já vi na vida... o pior é isso!)...Como se eu não tivesse passado por cima de uma série de princípios, do feminismo, do natural, da monogamia, do "anti-burguesismo", como se eu não tivesse chorado muito nesse processo, como se eu não tivesse inclusive passado por cima das vontades de uma das duas pessoas mais importantes num casamento - o noivo - para satisfazer um desejo dela.
Pois é, no fim foi isso...

Mas eu assumo minha culpa, eu devia ter brigado mais e ter feito as coisas como queria, ou simplesmente não ter feito nada de nenhum dos planos...

Ah, se eu pudesse voltar atrás...

O mais sincero foi o dia seguinte, mas ainda assim não pode ser completo.

Ainda bem que o mais sincero mesmo somos nós dois todos os dias e todas as noites abraçados...

Um comentário:

  1. Culpa é bom se for pra frente.
    É dura a dor de não se reconhecer em si.
    Mas precisamos julgar nossas ações, na medida em que tantos amares diferentes nos passam? na medida de nossa dimensão humana? de nossas contradições?
    Penso que o contraditório faz parte.
    Mas tbm reconheço q é importante saber onde se quer estar.
    E se vc já sabe como te doí, que nem te doa o passado, mas que paute o que você quer fazer adiante.
    E deixe o desentendimento dos outros fora de si. Não te pertencem.


    Força sempre!

    Amo-te Isa!

    Abraços fortões

    ResponderExcluir