sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Por que ser um homem feminista

Esse é o pai do meu filho...
E depois de tanto tempo e tanta gente me dizendo que seria impossível achar um homem não machista, não homofóbico, não ciumento, eu digo logo: não é nada impossível achar um homem desses...

Texto retirado do blog dele: http://barraponto.blog.br/


Por que ser um homem feminista

aos 17 anos, ignorante do que significa a palavra clitóris, laís perde a carícia que eu poderia fazer-lhe com os dentes; eu, incapaz de seduzi-la para o feminismo que, homem que sou, tanto bem me faria, privo-me assim da alegria de vê-la sair das amarras de sua educação repressora, privo me também da alegria de acordar a seu lado e desfrutar o revigorante sexo da manhã, que a qualquer um anima para o café da manhã, manga ou outra coisa leve que dê energia suficiente para escalar a cama, o corpo amigo, energia para encher o peito e dizer aos amigos e amigas que a vida sexual anda deliciosa e que não há nada de errado nisso.

considero o sexo uma dimensão essencial do meu dia e do meu ser, e entristeço pelas milhares de laíses educadas todos os dias para a impossível tarefa de ser mãe e ser virgem, ser mulher e ser autômata, fria executora das tarefas da casa, proibida de descobrir seu corpo como eu pude, incentivado pelos meus colegas de escola, masturbação pouco discreta na sala de aula.

aos 13 anos meus, quando a menina demonstrava seu desejo, riam meus amigos de um escárnio surpreso, então ela também deseja, porque diabos temos nós que nos oferecer e insistir tanto, algo que ela também quer, deve desejar ansiosa como cada um de nós, rimos e sonhamos com aquele desejo no nosso ouvido, na nossa nuca, descendo pelo nosso peito e barriga e indo diretamente aonde nossa puberdade reina.

puta é a palavra que proíbe a menina de ser mulher cheia de desejo, que a faz procurar homem que algo mais espere dela e daqueles passos primeiros na descoberta do corpo e do prazer. puta é a palavra que faz dos meninos homens, a mão cheia de dinheiro, a mulher que se faz menina para subjugar-se ao homem que paga pela redução do seu prazer à rotina infernal do trabalho, obrigação que vinga a puta mãe que paga o futuro puto filho.

tinha vinte e poucos anos quando ouvi essa história da boca de uma mulher feita, daquelas que de outro jeito nasceu mas mulher virou porque quis e só encontrava espaço pra usar seu corpo no mercado onde podia vendê-lo. me enchi de raiva da confusão na minha cabeça, que de pequeno gostaria de vender meu corpo também para quem cheio de desejo quisesse, que eu não queria fingir ser o único a querer a mulher que finge que não me quer. então era normal se vender, mas era de se esperar um pagante homem, mulher alguma tem o direito de aproveitar um puto que seja, se puder deve ser escondido, deve ser daqueles bombados ou daqueles barbudos ou daqueles com cara de criança e eu já era gordo ainda por cima. dizem que sou novo, mas na verdade ando bem usado.

não sei se tirei essa vontade feminista das minhas aulas, das leituras, ou se simplesmente brotou como resposta óbvia à frustração do meu desejo: toda mulher cujo desejo eu zombo, escondo de mim mesmo esse desejo, procuro loucamente depois por ele, e deve haver alguma mágoa que o faz fugir e que me deixa a noite toda na mão. sempre pensei que num mundo onde muitos se masturbam, muitos poderiam colaborar, que eu sei que meu pau se parece mais com um pau do que qualquer dedo, todos meus dedos fechados ao redor do meu pau não lembram em nada buceta alguma (nem desde a escola onde minha criatividade era mais fantasiosa).

aí me lembro também que sexo findo, gozadas bem gozadas, eu posso chegar em casa contente e ler um livro, talvez um feminista ou uma ficção científica qualquer, enquanto laís teria que checar se nada na roupa dela melou, medo do pai bravo, e se nada dentro dela ficou, imagina, mais medo do pai bravo, e uma incerteza absoluta do que eu faria, se largaria foucault ou o nintendo wii pra ter um filho ou se iria jogar longe dela pra me livrar da responsabilidade. é verdade que seria grande, e que me daria medo, e eu nem tenho pai bravo e nem teria que ouvir puta palavra a respeito, mas pra entender me falta ser feminista do tipo que faz filhos, coisa pra que me falta idade, sorte e filho. talvez em maio.

Um comentário:

  1. Muito bom! Vocês dois mandam muito bem!
    E, sim, com certeza, saimos pra tomar cerveja , sorvete, que quer que seja!
    Saudade muita aqui! Notícias também!


    Abraços fortes e um beijo!

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