quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Instinto...

Essa coisa da gravidez mexeu demais comigo. Sabe aquele papo de "quando for com seu filho, vc não vai querer"? Isso é sério galera, muito sério.

Pois é...Estou com a barriguinha começando a aparecer...E olho ao meu redor, p/ esse mundo maluco e penso que agora tem mais um na jogada, o MEU filho. E aí, e aí vc não quer mais se sujeitar, não quer mais passar por apertos, vc não pensa mais por você e pelo mundo só...

Cada um pensa com sua cabeça. Uns sentem isso e pensam que agora tem que ficar quietos para subir na vida para dar coisas mais caras(que eles julgam melhores) aos seus filhos, outros juram que nunca mais vão fumar um baseado(num moralismo esquizofrênico), uns se curvam às ordens que recebem e até matam por seus empregos (dizendo que é por seus filhos), outros largam as suas bandeiras e murcham seus sonhos...Alguns deixam seus filhos para lutar, pensando que melhorando o mundo para todos, melhorarão p/ eles também...São escolhas de como administrar o instinto de proteção...

O pessoal tem dito p/ mim "larga essa história de política agora, vai se estressar a toa, vai perder seu tempo, pelo menos agora que está grávida" ou então "vocês vão seguir num relacionamento aberto? Mas e a criança, como ela vai lidar com isso? Você não vai prestar concurso mais? E a escola particular, como vão pagar?"...

Isso para mim não faz absolutamente nenhum sentido. A gravidez me deu uma força, uma coragem, uma dignidade que eu desconhecia; não existe mais essa de brincar de revolução, de brincar de luta, de discursar e não agir. Não existe mais questionar a família por questionar, falar mal do mercado e do consumo, ser radical em palavras.

Eu brigo agora por tudo o que discursava (e fazia um pouco) antes, e brigo mais, porque agora brigo por essa criança também. Agora, tenho a obrigação de não abaixar a cabeça, pois a mágica força da vida está dentro de mim, esperando o mundo que eu vou dar. Agora não é mais a minha felicidade em jogo, não é mais um mundo melhor pelo coletivo, não é mais a utopia pela utopia, agora é a vida que eu quero proporcionar a essa nova pessoinha, a educação que quero dar, e, acima de tudo, o exemplo que eu quero ser. Agora se trata da maior coisa pela qual nós, individualmente, podemos brigar; e a sensação disso é muito louca.

Não quero oferecer a esse ser, que ainda é uma parte de mim, um mundo qualquer. A começar do começo - parto de cócoras sim, só se realmente não for possível. Pais que constroem liberdade entre eles; revoluções que temos que fazer todos os dias por dentro de nossas mentes construir uma sociedade nova; dizer não, não e não aos ataques que nos fazem, enquanto seres humanos, enquanto seres vivos; indignar-se, e jamais perder a sensibilidade de se indignar.

Mães que querem ser mães tem no seu instinto algo de arisco exatamente por isso: para que jamais abaixem as cabeças no risco de sua prole.

E esse mundo é um risco a qualquer prole...

2 comentários:

  1. Alguns utilizam-se de certos acontecimentos(velhice,casamentos, gravidez) para, de maneira oportunista, mostrar que não eram tão convictos assim em suas idéias...
    Texto brilhante, é preciso ser coerente em todos os momentos da vida.
    Beijos

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  2. viver escolhendo o vento certo parecia uma opção. afinal, existem milhões de opções no mundo, sobre as quais é fácil surfar e compor, dos trechos infinitos, uma pequena e instável utopia da leveza, receber o planeta em mãos ao reconhecer cada possibilidade subversiva no desejo que todos manifestam, mesmo sob a opressão do 'jeito que as coisas devem ser'.
    essa era minha opção até receber este filho no meu mundo. a alegria de tê-lo, a esperança de poder presentear-lhe o que há de melhor neste mundo, me fez obviamente melhorar minha posição. hoje vento voando de alegria, e vou soprar nas melhores direções possíveis para esse pequeno. existiam milhões de opções antes, eu quero ser mais uma, a melhor possível, para este novo soprinho de vida.

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