terça-feira, 8 de setembro de 2009

Sobre o racismo

Enviado por mim no email da minha sala, após o nojento ocorrido no Carrefour de Osasco, segue abaixo reportagem.

Na verdade, isso estava engasgado na minha garganta, depois que eu vi uma foto no orkut de uma colega de sala, indo p/ uma festa a fantasia, com um sinal de reverência e dois amigos fantasiados de, nada mais, nada menos, que Ku Klux Klan.

Ter opiniões diferentes, defender o Capitalismo/Anarquismo/Socialismo/Budismo/Catolicismo ou qualquer outra teoria, faz parte do negócio, faz parte da discussão, da construção do ser humano....

Agora, é completamente absurdo defender(e eu considero a piada, neste caso, uma apologia) em alguma medida, grupos de extermínio, como o caso do KKK. É inadmissível, assustador, escroto.

Este texto é, na verdade, revolta acumulada.

Aí vai:

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Se há uma coisa para a qual devemos ser completamente intolerantes, é o racismo.

Quando finalmente vamos tomar vergonha na cara e de uma vez por todas eliminar esse absurdo, que tanto mal já causou a nossa humanidade, da conduta política do estado, da sociedade, das pessoas individualmente?

Mas o fato, como tão bem percebeu Malcom X e tantos outros, é que sem racismo não há capitalismo - e aqui não falo em cor da pele, pois afinal, os judeus que morreram nas mãos dos nazistas eram "brancos", e os tutsis que morreram em Ruanda nas mãos dos hutus eram "negros". A acumulação do Capital se apropriou de tal forma das velhas opressões, que é impossível desatrelar uma coisa da outra, e hoje o capitalismo diz que combater o racismo é vender bonequinhas negras, cosméticos para a pele negra, e eleger pela democracia burguesa um presidente negro.

Nada disso impede que cresça a guerra entre palestinos e judeus, a blitz que pára meu colega negro na rua mas não pára meu colega branco, e os movimentos neo nazistas que espancam, agridem e matam nordestinos e negros pelos centros urbanos de nossas cidades. Isso tem acontecido com mais frequência que nós, enquanto sociedade civil, queremos assumir.

Tolerância com racismo é ser dele um cúmplice. Repudiar ações como essa do Carrefour é uma obrigação nossa enquanto seres humanos, independente da cor de nossa pele, de nossa etnia, de nossa classe social.

E vale lembrar a quem se julgar "branco" num país como o Brasil e num continente como a América Latina, que somos produto de miscigenação absoluta (afinal, brancos em massa só chegaram por aqui neste século, e portanto, temos um passado de miscigenação do homem branco com os indígenas e negros muito mais forte). A possível cor "branca" de nossas peles é produto de uma política de embranquecimento da população, a criar uma classe média não negra, e portanto, brancos, negros, indígenas enquanto "raça" é, mais do que em qualquer outra parte do mundo, completamente estapafúrdia e infundada por aqui...

Aos neo nazistas espalhados pelo nosso continente, desde contando piadas sem graça até os campos de batalha em que espancam gente na rua, sinto muito: se querem o extermínio das "raças inferiores", comecem exterminando a si mesmos, já que vocês de raça pura nada têm.

E aos que acham que nada tem de racistas, vale um exame de consciência e do inconsciente escravista (que tal uma leitura da psicologia p/ esse lado também?) que temos para ver até que ponto não nos sujeitamos à lógica absurda que paira nossas mentes brasileiras, que vivem negando que são racistas, mas atravessam a rua a noite ao ver um negro passar, contam suas piadinhas racistas em mesa de bar e morrem de desgosto ao ver seu filho com uma namoradinha negra.

Às respostas neo-liberais e liberais a respeito do racismo, possíveis de surgir pelo meu pressuposto de que só fora do Capital (e portanto do capitalismo, já que estamos neste momento histórico) há aniquilamento do racismo, estou aberta a discussão.

Atés revoltados.

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Reportagem:
>>Manifestantes protestam contra racismo no Carrefour de Osasco
>>
>>Homem negro foi espancado e acusado de 'roubar' o próprio carro, um
>> Ecosport, pelos seguranças da loja
>>
>>SÃO PAULO - Dezenas de pessoas se reuniram no estacionamento da unidade de
>> Osasco dos supermercados Carrefour na manhã deste sábado, 22, para
>> protestar contra a agressão sofrida pelo vigia e técnico em eletrônica
>> Januário Alves de Santana, de 39 anos, na quarta-feira, 19. O cliente do
>> supermercado foi confundido com um ladrão pelos seguranças, que o
>> agrediram o acusaram de "roubar" seu próprio carro, um EcoSport.
>>Os manifestantes levaram uma faixa branca de cerca de 30 metros com os
>> dizeres "Onde estão os negros?" e a estenderam no estacionamento do
>> supermercado. Alguns carros exibiam protetores de para-brisa com a frase
>> "Carrefour racista" nas cores da logomarca da rede.
>>
>>O advogado de Santana, Dojival Vieira, vai entrar com uma ação de
>> indenização por danos morais contra o Carrefour e contra o Estado.
>> "Queremos que os cinco seguranças e os três policiais sejam identificados
>> e responsabilizados. Esses casos de racismo não podem mais acontecer num
>> País onde a metade da população é negra ou parda."
>>
>>O Carrefour decidiu afastar a empresa Nacional de Segurança Ltda., que
>> prestava serviços em algumas lojas de São Paulo e o gerente da unidade de
>> Osasco.
>>
>>
>>Protesto ocorreu no estacionamento do supermercado. Foto: Evelson de
>> Freitas
>>
>>
>>Carros exibiram protetores com frase "Carrefour racista". Foto: Evelson de
>> Freitas
>>
>>
>>Foto: Evelson de Freitas
>>
>>
>>Foto: Evelson de Freitas
>>Fonte: Estadão

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