domingo, 7 de junho de 2009

Essas pessoas da sala de jantar...

Escrevo já mais recuperada da estafa que o excesso de política me deixou...Na verdade eu concluí que minha vida é um tripé: política, arte e sexo. Quando um fica sobrecarregado, e presto pouca atenção nos outros, eu fico mal, sempre...E esses dias a política tem me esgotado até o último, não tenho ânimo, inspiração e corpo para dançar, atuar, criar, e sexo então, nem se fala...Estava cansada de um jeito que durmo sentada em qualquer lugar, imagine deitada numa cama, na grama...

Pois bem, estive pensando muito no admirável mundo novo, e todas essas coisas que tenho lido/ estudado e discutido, na minha estafa e nesse movimento que nos dá tão pouca voz em nome de um uníssono coletivo, que depois ninguém mais se lembra porque começou a gritar, e eu me pergunto então, para onde estamos indo, e tenho medo da resposta...Cadê o livre pensar? Livre pensar sem livre criar, sem explorar outras linguagens, sem mudanças? Vejo o sonho minguando, a beleza, a cor, estou cansada desse mundo cinza, e só vejo mundo cinza nesses comunas as vezes...quero pensar na liberdade corpórea, e aí está o porque ainda me associo aos comunas, mas cada dia vejo menos disso neles...Comunas chatos!

Mas mais apavorada ainda fico com os capitalistas, que caminham cada dia mais a nos levar a um sistema controlado e sem porque, e aí está o problema, por isso não acredito em paredão: não é simplesmente uma questão de poucos terem muito, e sim de todos estarem presos a um sistema que não sabem mais porque, vivendo por nada! O consumo nos leva a isso, a constante produção, a alienação da vida: somos alienados até do sabor daquilo que comemos!! estava assim ultimamente, e por isso surtei, eu preciso de cor, de arte, de movimento, eu preciso sentir o doce das frutas, o céu, o vento, eu preciso ouvir meu corpo, respeitá-lo, e não me entupir de café...

Pior do que sem tempo nenhum de fazer as coisas que mais gosto, eu ando sem ânimo de fazê-las, ler minha revista, imaginar a Leila, jogar capoeira, dançar e pirar com flamenco, cantar, andar quase nua(mas isso é pelo frio mesmo, heheh), trepar loucamente, comer mangas chupando, mordendo, tomando o suco todo...

Afinal, para que mais eu quero a revolução? Não é para trepar na grama do jardim, olhando para as flores coloridas e o céu azul? Não é para comer mangas todos os dias, e abacates, maçãs, chocolates? Não é para imaginar o mundo diferente, colorido, livre?

2 comentários:

  1. morder você é um ato deliciosamente antidemocrático.
    vou levar lápis cores pra colorir e frutas roubadas.
    me encontra no telhado.

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  2. te encontrei no telhado e desde então não sei mais o que é cinza...
    te amo, sabia?

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