domingo, 5 de abril de 2009

O meu ideal....

Aos obsessivos colegas, ávidos por definições de uma posição política para mim, enfim, chegou o dia: concluí finalmente minha definição....Talvez não como satisfaça aos mais ortodoxos, rotuladores, tolhadores, mas não adiantaria esperar isso de mim, eu nunca vou querer ser assim...

Finalmente, essa semana tive uma sacada no meio da aula de filosofia(justo na aula mais acadêmica, hahaha, contradições a parte...) que me deu um siricutico e eu fiquei doida para sair por aí pulando....A conclusão começou quando a professora colocou uma definição de Kant acerca do ideal: "O ideal é uma idéia de perfeição".
Partindo desse pressuposto de ideal, comecei a pensar se eu tinha algum ideal, se eu acreditava em perfeição....

Pegando o que eu já li de raciocínio lógico, em que você sempre parte de premissas para desenvolvê-lo, eu percebi que tinha alguns princípios de sociedade que poderiam levar a várias formas de sociedade "ideal"...

Juntando ao que eu mais detesto desses movimentos políticos de esquerda, que é o seu (espero que não) eterno sectarismo, em sua rigidez de idéias e de modelos de mundo, em que eles são capazes de se separar por qualquer mísera vírgula de interpretação de Marx, e em toda a doutrinação que alguns grupos querem incurtir nas cabeças das pessoas (com o atrevimento de chamarem isso de consciência política e educação), eu finalmente entendi!!

Eu não acredito em receita de bolo, modelo pronto... Desde meus sonhos mais íntimos de amor até os meus delírios de sociedade, eu sempre usa a palavra mágica: Construção...

Eu acredito em uma revolução construída, arquitetada, projetada, pintada e efetivada pelas mãos de quem a quiser construir, na qual podemos pegar aquilo que seja mais interessante de cada modelo, autor, poesia, discurso, sonho, e que seja construída sem bíblias, sem conclusões prontas, sem imposição, a partir de princípios....Essa é minha idéia, eu não quero lutar por uma receita de bolo, eu quero lutar para construirmos algo diferente...

Além disso, o que não ferir meus princípios não estará contra mim: estará indo no mesmo sentido que eu quero ir...princípios? Não sei se tenho todos formados, mas alguns eu exponho aqui: Dignidade, acima de tudo, que para mim é ter o mínimo de condições para se viver, liberdade para ser quem se quer ser de verdade, para desenvolver-se ao máximo, para buscar tudo o que se sonhar(ou seja, igualdade de poder político), e responsabilidade, por si e pelos outros....

Isto posto, coloco aquilo(ou melhor, quem, pensando que tudo serve a alguém e por alguém)que está contra mim:
- o capital, que se nutre da miséria de um terço da população mundial e escraviza todos os terços, fere a dignidade, a liberdade(que é condicionada ao capital, pensando no sistema capitalista de hoje, é só liberdade de mercado, e não a liberdade que eu quero), e a responsabilidade, visto que todos são eternas crianças que tem que ser tuteladas nessa democracia eleitoreira e representativa que eu tanto detesto e abomino!

- nisso, entram as teorias políticas de direita, o capitalismo e o fascismo(que impõe tudo o que o capitalismo impõe mas sem liberdade de mercado e, pior que isso, pela força militar - tenho nojo de farda!)...

Para concluir o tópico de coisas que eu abomino, entram todas as instituições e que sirvam ao capital, todas as formas de dominção e imposição que vão contra esses meus princípios....Na real, portanto, entram todas as idéias, explicitamente políticas ou não,que se basem na direita...

E então, concluo-me sem definição...Eu sou na verdade uma pragmática, eu não fico sonhando com ideiais, eu só quero que as pessoas tenham o mínimo, e a partir daí discutamos como vamos nos organizar, eu não quero impor-me as massas, eu quero fazê-las discutir, quero que elas tomem as rédeas de si mesmas e que elas decidam se querem a revolução e que revolução querem, eu não tenho religião, não tenho doutrinação política, não boicotarei nenhum movimento que seja verdadeiramente de esquerda, seja ele anarco, socialista, comunista, ou qualquer ista que se queira colocar, eu apoiarei esses movimentos contanto que sejam uma construção coletiva....E a construção coletiva sim é o meu ideal, a desconstrução dessa merda de capital(e para isso tem que estudar, discutir e brigar demais!!) para partirmos para a nossa liberdade...

É o Novo Aeon de Raul!

Um comentário:

  1. logo no começo me apareceu uma chave: você se iluminou em aula. de repente. eu me chamo de anarca, porque, soberano, reino de repente, impero sobre mim mesmo. decidi, mudei, fiz, pensei, recuei, fui. no meu ritmo, na minha demanda. por ser assim, eu acabo desejando que você seja assim, e é isso que eu vejo nessas iluminações.
    daí sua palavra mágica é a construção, enquanto a minha parece ser a desconstrução... o que no fundo indica o quanto a gente pode se dar bem. não é uma questão de querer não fazer, é me entender como ator e produto, imediato e ciborgue. outras loucuras.
    e eu vejo essa negação, que é muito mais sincera do que o marxismo-in-a-box (peça pelo número) do M.E., mas ainda mascarando o que existe mais perto de você (ou você mesma). nos meus devaneios sobre a representação e o mundo, percebo que só posso dizer o que a linguagem me deixa dizer, como só posso comprar aquilo que existe à venda. mas o mundo é total, ele é o próprio infinito que ele é, em 1:1, quer dizer, ele não está se representando. foi aí que eu joguei meu desejo, que eu preferi lidar. talvez por isso eu não me expresse nem seja entendido direito, nem precise.
    se você me convidar pra beber e conversar, isto é.

    ResponderExcluir